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Rio de Janeiro,
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| Uma perigosa volta ao passado Ainda me lembro, nos idos de 1997, quando o então desconhecido Mark Kerr atropelou seus adversários em um torneio promovido no WVC III em São Paulo. Na beira do ringue, toda a imprensa especializada se resumia a mim, que na época dirigia um jornal chamado Nocaute, e a meu amigo Marcelo Alonso, eterno editor da revista Tatame. Na luta final, Kerr e Fábio Gurgel digladiaram-se em um violento combate de 30 minutos. De pé, Kerr castigava Gurgel no Ground’n Pound com cabeçadas, cotoveladas e socos. O brasileiro mostrava um espírito de guerreiro inacreditável, ignorando a chuva de pedras e insistindo com seu Jiu-Jitsu, em busca de uma chave, um triângulo ou uma raspagem salvadora. No fim, com o olho fechado devido ao castigo, Gurgel pegou o microfone e garantiu estar disposto a perder a visão se necessário fosse, pois estava ali para defender a honra, a tradição e a eficiência de sua arte, o Jiu-Jitsu. Esse foi um dos muitos combates épicos que construíram as bases históricas do esporte em que hoje se transformou o Vale-Tudo. Mas naquela época, verdade seja dita, não era esporte. Eram verdadeiras e sangrentas rinhas humanas. Ainda hoje pagamos o preço por aquelas imagens, levadas ao ar em tv aberta no Brasil. Impossível convencer o mundo a aceitar como esporte uma modalidade praticada sem luvas, com cabeçadas, e capaz de permitir lutas com adversários esvaindo-se em sangue. Logo percebemos isso e mudamos o rumo da história. Até um novo nome foi criado e o Mixed Martial Arts entrou nos trilhos das comissões atléticas, federações e associações esportivas. Perdeu-se um pouco da essência, mas a nova configuração permitiu que o Vale-Tudo caminhasse a passos largos rumo ao reconhecimento de comunidades esportivas internacionais. Uma década depois de Kerr e Gurgel, ressurge em São Paulo um evento inspirado nos primórdios do Vale-Tudo. Estampado em nossa capa, o Rio Heroes chega na contra-mão da história e volta a promover lutas, sem limite de tempo, sem regras rígidas e sem luvas. Mas o saudosismo fica por aí. A justificativa é a de resgatar a essência dos combates, uma espécie de Vale-Tudo de raiz. Mas o preço a pagar pode ser alto. Corre-se o risco de se confundir uma desconfiada sociedade que já começava a aceitar o Vale-Tudo como esporte. Tenham uma boa leitura e até a próxima!
José Mauricio Costa |
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EDITORIAL |
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